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Eu não quero ser a sua referência

“Eu erro“. Uma frase simples e óbvia, mas que salvaria o mundo se não nos fosse extremamente desconfortável quando calçada ao pronunciar.

Eu erro. O tempo todo. Eu penso o que não queria pensar. Eu sinto o que não queria sentir. E, às vezes, com muito pesar, faço o que não queria fazer. Ou deixo de fazer o que devia.

A verdade é que eu sou totalmente dependente da misericórdia de Deus. A cada segundo.  E, talvez, meus erros, sejam extremamente úteis no que se refere a me lembrar disso. Lembrar que não há nada de bom em mim fora Dele. Que não há motivo algum para me gloriar. Que, se eu me ausentar só por um minuto sequer do sopro de vida Dele sobre mim, eu retorno à vulnerabilidade de ser o que originalmente sou: pó. E, me deixa te contar uma coisa? Você também.

Estamos na mesma situação. Todos nós. Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus. Não há um justo sequer. Nenhum. Não somos bons. Nossas obras de justiça são como trapos de injustiça. Essa é a verdade. E os grandes problemas vem quando nos esquecemos dela.

Nos esquecemos de que somos fracos e confiamos na força do nosso próprio braço. Nos esquecemos de que os outros também são fracos e, ao vermos algum tipo de  “sucesso espiritual” de suas partes, depositamos nossa fé e expectativa neles e os tomamos como “referências”.

Idolatramos pessoas. As rotulamos e incumbimos a elas fardos de heróis espirituais e, depois, ao primeiro vestígio de erro ou pecado, nós mesmos os substituímos por rótulos de desprezo e os “bilheteamos” ao fogo eterno. Eficientes e rápidos em mudar de ideia, não?

Elevamos pessoas a lugares que não deveriam ocupar e, depois, as apedrejamos por se mostrarem simplesmente humanas. Nós as colocamos lá. E, agora, queremos que paguem por erros que afetam o poder de influência que nós mesmos as demos.

Pessoas são só pessoas. Por favor, não se esqueça disso. Tendo um milhão de seguidores, ou 100. Agenda lotada, ou nem sendo conhecido na “fila do pão”. São pessoas. “Crentes” ou não. “Famosas” ou não. Pessoas. Sujeitas aos mesmos erros que eu e você. Aos mesmos medos. Inseguranças. Dores. Sentimentos.

Ninguém é só o que posta no Instagram. Ninguém é só o que grava no Youtube. A gente só mostra o que quer que os outros vejam. Ninguém posta foto da pilha de louça pra lavar que fica depois da foto do prato de chef arriscado. Ninguém. Ninguém tira foto da cara de panda com rímel borrado ao chorar porque o salto quebrou depois de postar foto da maquiagem da noite. Ninguém. Ninguém posta quando deixou de amar. Ou perdoar. Ou quando se fez tão hipócrita quanto quem chama de hipócrita. Ninguém posta pecado próprio. Engraçado. É muito mais fácil postar o dos outros.

É muito mais fácil chegar aqui querendo parecer que eu sou só uma menina legal que escreve e é feliz e pacífica o tempo todo e nunca mostrar minhas batalhas.
Mas eu também luto. Comigo mesma. Todo santo dia. E, às vezes, perco. E eu sinto muito se isso te desapontar ou escandalizar.

A questão é que a gente precisa mesmo levar – e dar- uns tapas da real humanidade que insistimos idolatrar, pra entender que tiramos Jesus do centro das nossas referências, e colocou gente de carne, falha e vulnerável,  lá. E a frustração é mera consequência. É natural. Ninguém tem culpa disso. Só nós. Se a sua fé se abala ao descobrir o erro do seu irmão, isso é só uma prova de que o seu coração estava no lugar erradoÉ simples.

Que Deus me livre da maldade de colocar nas costas de alguém falho como eu, a responsabilidade de ser perfeito pra me inspirar a ter fé. Que Deus me livre também de um dia ocupar o banco dos réus de quem um dia me colocou no lugar que excede a admiração que não devia, sem eu nem querer.

Eu sou propícia ao erro. E descobri a tremenda importância de confessar isso. De confessar fraqueza. De confessar humanidade. De expor a nudez. Não a carnalidade aceita e acomodada em quem se conforma e simpatiza com ela. Mas a constante vulnerabilidade e risco de queda de quem não confia em si ainda que lute todos os dias contra os tropeços.

Eu erro. E é aí que a graça entra. Porque eu não mereço nada. Mas, em Cristo, tenho tudo.

Eu não sou sua referência. Eu não posso ser.  Porque, se um erro meu vier a tona, eu não quero ser uma muleta pra desviar você. Eu não sou a sua referência. Eu não conseguiria ser.  Porque o peso da perfeição só Jesus carregou com braços fortes, eu só sei enfraquecer. 
Eu não sou sua referência. E eu nem quero ser.  A referência Dele nos basta.

Existe uma grande linha que separa a hipocrisia, no que discerne a mandar os outros fazerem o que você não faz; ou, incentivá-los a buscarem o que você também está buscando.

Eu posso ainda não ter conseguido viver tudo o que prego ou acredito, mas, eu vou morrer tentando. E é só nisso que posso te inspirar. E é só isso que eu quero ser. E, vindo de mim, que essa seja a única referência que você possa usar pra vida, e pro que vier:

Ser alguém que ama Jesus e que tenta, entre toda vulnerabilidade humana de errar, acertar o máximo que puder.

De quem segue tentando, 
Ghiovana Christini.